domingo, 8 de setembro de 2019

as palavras de Tal

"Somos seres sem um mundo a que possamos chamar nosso.
Vagueamos pelas estrelas sem saber o que está por detrás dos astros,
e assim ficamos, sempre sós, eternamente condenados a percorrer 
o infinito.
o horizonte é longínquo de tudo e de todos
e, quando voltarmos, nunca mais será o mesmo.
Tenta não esquecer de onde vens, tenta lembrar-te
para não te perderes na dança cósmica 
daquilo que te rodeia e chama por ti." 

Estas foram as palavras de Tal, o grande fundador do planeta Vor que Hanan leu pausadamente a Laura. 
Quando fechou o livro sagrado da criação do universo estava na expetativa da primeira reação da nova hóspede, era conhecida por não ter as respostas previsíveis como os outros viajantes que por ali passavam.
Estranhamente, Laura não foi capaz de dizer nada. Isso foi tão estranho que deixou confusa a própria Laura.

P. C. Franco 

(excerto retirado da história O Povo das Estrelas. Reservados todos os direitos de autor)




poema I



terça-feira, 3 de setembro de 2019

anima mea | capítulo I

Podemos acreditar que existem seres que nos criaram. A questão é se acreditamos ou não que somos nós quem constrói o nosso destino e escrevemos a nossa história.
É que não é fácil escrever uma história, quanto mais a nossa.
É mais fácil dizer que os nossos criadores traçaram o nosso destino e o que tem de ser, será.
Não, não é verdade. O que tem de ser nem sempre será, simplesmente porque não são assim que as coisas funcionam.
E invocar a sorte também não é opção. O destino e a sorte não andam de mãos dadas e não variantes decisivas no desenrolar dos eventos da nossa vida.
Muito provavelmente, ao longo da nossa vida, temos de construir o nosso destino e criar a nossa sorte; se ficarmos à espera destes dois, vamos ter muito de esperar.
Se querermos trazer alguma variante que justifique a obtenção ou não obtenção do que queremos ou do que nos acontece, ou não acontece, é a vontade. Sim, a vontade é definidora dos eventos da nossa vida.
A ausência de vontade é tão importante como a existência a 200% da mesma em nós. Faz acontecer eventos. Ou faz não acontecer.
Nas manhãs de frio e sem esperança, é quando normalmente conseguimos pôr em prática algo determinante, simplesmente porque a nossa vontade está bem vincada e definida.  

A determinação nasce dos momentos de dor e desespero, é nesses instantes que descobrimos a nossa verdadeira essência: se somos vencedores, se nos damos por vencidos, ou o pior dos piores, se somos indiferentes.

P.C. Franco 


(todos os direitos de autor reservados. para autorizações contactar a autora. obrigado. all rights reserved. for permissions please contact the author. thank you.)