terça-feira, 8 de janeiro de 2019

textos ao amanhecer #4

Naquela noite um som vindo do interior da Terra ecoou pelas ruas, vielas e becos da cidade do Povo da Floresta.
Nunca tinham ouvido um ribombar daqueles, nem nos dias de maior tempestade em que o Deus do Trovão visitava os mortais para lhes lembrar da casa dos deuses lá em cima, entre as estrelas.
As portas e as janelas foram trancadas e as luzes apagadas, e um silêncio nunca antes visto instalou-se noite fora.
O Povo da Floresta aguardava que algo chegasse, acontecesse, se revelasse pois era certamente um evento que se iria suceder.
No entanto, as horas passaram, a Lua iluminou a cidade durante as horas de escuridão e, depois muito pacificamente, desapareceu dando lugar a raios de sol majestosos e quentes. 
Não fazia sentido, então nada acontecera debaixo dos seus pés? Teriam imaginado o som monstruoso que ouviram? Na verdade, o Povo da Floresta era um bom povo imaginativo, eram conhecidos por contarem histórias mágicas de seres, aventuras, lugares e canções que não existiam em mais lado nenhum a não ser nas suas histórias. Teriam todos sonhados com aquele som?
Aos poucos a cidade voltou ao normal, sendo que os habitantes caminhavam com algum cuidado pelas ruas, vielas e becos. Cada passo que davam era com profundo respeito pelo que poderia vir do interior da Terra.
Desde essa noite que deixaram de somente olhar para o céu e orar para os deuses que habitam as estrelas; passaram a fazer preces pelos seres e criaturas que poderiam estar ali mesmo, debaixo dos seus pés, fazendo as plantas e as árvores crescerem, as águas nascerem e darem origem a rios e mares, e, sobretudo, a receberem os corpos dos mortais que à Terra retomavam.
Todos os meses passaram a juntarem-se na Casa da Sabedoria para contarem novas histórias, desta vez, sobre a Magia que vinha do chão e para orarem que a terra fosse amada desde o seu interior até ao céu que se deixava de ver.
Nunca mais ouviram tal som a meio da noite, e não mais faltou água na Nascente Dourada nem a floresta teve incêndios ou pragas, e animais e plantas nasciam e floresciam de uma beleza nunca antes vista.
Rapidamente esta história do Povo da Floresta se espalhou pelo País dos Navegantes e por todos os outros países, os conhecidos e os não conhecidos.
Só que desta vez a história era verdadeira.

P.C. Franco

retirado da história "Stjerner - O Povo das Estrelas", ainda a ser escrita 
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Baldassare Tommaso Peruzzi draw at the Metropolitan Museum for public domain 

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

reflexões sobre o que não se vê

a poesia não tem hora, lugar, momento.
acontece, tal como a vida e a morte, em qualquer instante.
e, nesse breve instante, o tempo e o espaço suspendem-se para que o pensamento se liberte e o universo receba palavras que escondem palavras.

P.C. Franco 





sexta-feira, 26 de outubro de 2018

poetry by night

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