a poesia não tem hora, lugar, momento.
acontece, tal como a vida e a morte, em qualquer instante.
e, nesse breve instante, o tempo e o espaço suspendem-se para que o pensamento se liberte e o universo receba palavras que escondem palavras.
P.C. Franco
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
poetry by night
terça-feira, 23 de outubro de 2018
textos ao amanhecer #3
A
chuva que a noite trouxe limpou as almas que vagueavam em busca de uma lua que
não se via.
Pode
não parecer, mas caminhar à chuva numa noite sem lua faz-nos lembrar que somos
seres mágicos, que outrora éramos unos com as estrelas e os deuses antigos.
Com
o passar dos milhares de anos esquecemo-nos de quem somos, de onde viemos, e
tornámo-nos seres vazios da essência mágica que nos dá vida e nos acompanha até
ao mundo dos nossos antepassados.
É
isto que queremos?
Vaguear
por ruas e caminhos, com medo do escuro, sempre à procura de uma luz
artificialmente criada pelo Homem? Na verdade, não andamos com lanternas mas
andamos com telemóveis que têm essa funcionalidade e, ao mínimo sinal de
ausência de luz, recorremos a um foco criado por nós. Simplesmente porque
deixámos de nos sentir um só ser juntamente com a Natureza, seja ela qual for a que nos rodeia.
E,
por isso, estamos a ficar vazios. Da nossa magia. Daquilo que nos define.
A
chuva não acalmou mas os primeiros ténues raios de sol começaram a surgir e a
sensação de que o dia estava a começar e já se podia respirar de alívio
espalhava-se por todo o lado.
A
chuva era a mesma. Durante umas horas sob um céu ausente de lua visível, agora
sob um sol cinzento.
Mudámos
porque nos esquecemos dos nossos antepassados.
P.C.
Franco
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sexta-feira, 12 de outubro de 2018
Textos ao amanhecer #2
Naquele dia em que o sol se despedia, ela conseguia ver os monstros numa dança frenética, celebrando o nascer da escuridão.
No caminho de regresso a casa, sentia em cada folha caída no chão que o mundo estava prestes a mudar.
Fechou os olhos e percorreu o caminho o mais rapidamente que conseguiu. De repente, os sons e os cheiros encheram-lhe a mente, afastando as imagens que fora acumulando ao longo do dia.
Era assim há já vários anos, a fronteira entre a luz e a escuridão fazia parte dos seus dias.
Nem se lembrava de quando ainda não conhecia os demónios. Deve ter havido uma altura de esperança de alguma normalidade na vida que se lhe avizinhava, deve ter havido. Mas não tinha memória de tempos assim.
A mente cresce connosco ou sempre lá esteve e apenas tomamos noção da mesma com o passar dos anos?
Estamos condenados à luz ou à escuridão ou haverá algum momento em que tudo é uma incógnita?
Seja qual for a resposta, os seus passos eram firmes, destemidos, mas rápidos. Apesar de os conhecer desde sempre, os monstros não eram de serem levados de animo leve.
A única ajuda era não se perder na sua mente e deixar-se
guiar pelos pequenos aluxes que ia encontrando e que lhe iam sorrindo, como que
a indicarem o caminho de regresso a casa.
Havia noites em que a casa parecia-lhe muito longe e outras
em que tinha dúvidas se tinha chegado a ela ou se tinha, na realidade, ficado a
vaguear noite fora, à procura do regresso.
A certeza de que estamos seguros acontece uma vez em cada
mil anos.
P.C. Franco
***
texts at dawn #2
On that day when the sun parted, she could see the monsters
in a frenzied dance, celebrating the rising of the darkness.
On the way home, she felt on every leaf lying on the ground
that the world was about to change.
She closed her eyes and made her way as fast as she could.
Suddenly, the sounds and smells filled her mind, pushing away the images he had
accumulated throughout the day.
It was so for several years now, the border between light
and darkness was part of his days.
She could not even remember when she had not met the demons
yet. There must have been a moment of hope for some normality in the life that
was approaching her, there must have been. But she had no memory of times like
this.
Does the mind grow with us or have we always been there and
only have we grasped it over the years?
Are we doomed to light or darkness or is there ever a time
when everything is a mystery?
Whatever the answer, her steps were steady, fearless, but
quick. Although she had known them forever, the monsters were not to be taken
lightly.
The only help was not to get lost in her mind and to let
herself be guided by the small aluxes that she was finding and smiling at her as
if to indicate the way home.
There were nights when the house seemed very far away, and
others she had doubts about if she had even come home, or whether she had actually
been wandering all night long in search of return.
The certainty that we are safe happens once in a thousand
years.
P.C. Franco
On the way home, I felt on every leaf lying on the ground
that the world was about to change.
She closed her eyes and made her way as fast as she could.
Suddenly, the sounds and smells filled his mind, pushing away the images he had
accumulated throughout the day.
It was so for several years now, the border between light
and darkness was part of his days.
He could not even remember when he had not met the demons
yet. There must have been a moment of hope for some normality in the life that
was approaching him, there must have been. But I had no memory of times like
this.
Does the mind grow with us or have we always been there and
only have we grasped it over the years?
Are we doomed to light or darkness or is there ever a time
when everything is a mystery?
Whatever the answer, his steps were steady, fearless, but
quick. Although they had known them forever, the monsters were not to be taken
lightly.
The only help was not to get lost in her mind and to let
herself be guided by the small lines that she was finding and smiling at her as
if to indicate the way home.
There were nights when the house seemed very far away, and
others she had doubts about if she had come to her, or whether she had actually
been wandering the night away in search of return.
The certainty that we are safe happens once in a thousand
years.
quinta-feira, 27 de setembro de 2018
the world won't collapse
the world won't collapse,
life won't fade.
we'll cease to walk, breathe, laugh, cry,
maybe we'll kill the dreams,
we'll exist in the vacuum of emptyness,
but the world won't collapse.
we build our darkness when searching for the light.
P.C. Franco
life won't fade.
we'll cease to walk, breathe, laugh, cry,
maybe we'll kill the dreams,
we'll exist in the vacuum of emptyness,
but the world won't collapse.
we build our darkness when searching for the light.
P.C. Franco
a madrugada é o início
Os caminhos invisíveis conduzem
às terras distantes dos mundos
por descobrir, por conquistar.
Estendem-se mãos, ouvem-se vozes,
perdem-se sorrisos em dias de nevoeiro,
encontram-se lágrimas nas noites sem lua.
A madrugada é o início.
P.C. Franco
às terras distantes dos mundos
por descobrir, por conquistar.
Estendem-se mãos, ouvem-se vozes,
perdem-se sorrisos em dias de nevoeiro,
encontram-se lágrimas nas noites sem lua.
A madrugada é o início.
P.C. Franco
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
textos ao amanhecer #1 | texts at dawn #1
existem manhãs que normalmente nos trazem uma reflexão sobre aquilo em que o mundo se tornou.
manhãs encobertas de tempos passados em que os dias seguintes pareciam que o melhor estava para vir.
entretanto o mundo tornou-se noutro mundo e nem os demónios, fantasmas e sonhos são mais os mesmos.
até a esperança mudou e está irreconhecível.
mantém-te fiel à tua mente para tu também não ficares irreconhecível.
P.C. Franco
***
there are mornings that usually bring us a reflection on what the world has become.
shrouded mornings of days gone by in which the next days seemed the best to come.
however the world has turned into another world, and not even the demons, ghosts, and dreams are the same.
even hope has changed and is unrecognizable.
stay true to your mind so that you do not become unrecognizable.
P.C. Franco
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
terça-feira, 24 de julho de 2018
quinta-feira, 12 de julho de 2018
quarta-feira, 13 de junho de 2018
quinta-feira, 7 de junho de 2018
segunda-feira, 4 de junho de 2018
segunda-feira, 14 de maio de 2018
quinta-feira, 10 de maio de 2018
quinta-feira, 19 de abril de 2018
sábado, 14 de abril de 2018
os dias de elaphobolia
I
a estrada que encontrei levou-me ao vale dos dias sem fim
& das noites eternas de sonhos outrora sonhados por outros
& outras de lugares e com rostos que nunca vi
II
foi naquele momento suspenso no tempo que vi para lá
do horizonte que eu ambicionava, e, digo-te,
não gostei das terras desconhecidas que se ergueram
III
abracei o oceano e naveguei por tempestades sem sentido,
procurei a margem de um paraíso que nunca existiu,
pretendi um reino que não se vê daqui da minha torre.
IV
um dia, numa manhã como as outras, o vento parou por instantes
e, longe de mim, senti o destino, inalcançável, ali perto, ali distante,
a sorrir-me por entre o véu da minha mente crente na vontade de mover
os mundos de todos os mundos.
a vontade permaneceu apesar das trevas, o horizonte desvaneceu-se,
mas os oceanos continuam, com navios que não se afundam,
à espera de exploradores sem medos das marés & dos Deuses acima de nós.
P.C. Franco
a estrada que encontrei levou-me ao vale dos dias sem fim
& das noites eternas de sonhos outrora sonhados por outros
& outras de lugares e com rostos que nunca vi
II
foi naquele momento suspenso no tempo que vi para lá
do horizonte que eu ambicionava, e, digo-te,
não gostei das terras desconhecidas que se ergueram
III
abracei o oceano e naveguei por tempestades sem sentido,
procurei a margem de um paraíso que nunca existiu,
pretendi um reino que não se vê daqui da minha torre.
IV
um dia, numa manhã como as outras, o vento parou por instantes
e, longe de mim, senti o destino, inalcançável, ali perto, ali distante,
a sorrir-me por entre o véu da minha mente crente na vontade de mover
os mundos de todos os mundos.
a vontade permaneceu apesar das trevas, o horizonte desvaneceu-se,
mas os oceanos continuam, com navios que não se afundam,
à espera de exploradores sem medos das marés & dos Deuses acima de nós.
P.C. Franco
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sexta-feira, 6 de abril de 2018
os fantasmas que habitam para lá da montanha
A chuva que caiu naquela noite trouxe os fantasmas
que habitam para lá da montanha.
Os gritos assustados ouviam-se pelos vales, ecoando vozes
e lamentos de um amanhecer que nunca chegou.
Partiram todos, ninguém ficou, ninguém mais foi lembrado
ou amado na memória dos corações.
A terra engoliu aqueles que outrora lhe deram vida & esperança.
Não souberam acreditar.
Acorda. Não te deixes consumir pelas trevas que habitam
para além das tuas crenças. Acorda.
P.C. Franco
que habitam para lá da montanha.
Os gritos assustados ouviam-se pelos vales, ecoando vozes
e lamentos de um amanhecer que nunca chegou.
Partiram todos, ninguém ficou, ninguém mais foi lembrado
ou amado na memória dos corações.
A terra engoliu aqueles que outrora lhe deram vida & esperança.
Não souberam acreditar.
Acorda. Não te deixes consumir pelas trevas que habitam
para além das tuas crenças. Acorda.
P.C. Franco
terça-feira, 3 de abril de 2018
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