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domingo, 19 de outubro de 2014

Quando se Agitam Mentalidades

Benazir Bhutto ao regressar do seu exílio no Dubai, a Carachi, a 18 de Outubro de 2007, não conseguiu evitar a emoção ao pisar o solo paquistanês.

Para ela o povo do Paquistão esteve sempre em primeiro lugar e a sua família, os seus filhos e o seu marido, Asif, compreendiam e até encorajavam a mãe e esposa a trilhar o caminho do regresso ao Paquistão, a correr perigo de vida, em nome de um país livre e democrático.

Foi com grande tristeza que acolhi a noticia do seu assassinato a 27 d eDezembro de 2007 em Rawalpindi. Acompanhava o percurso desta mulher, o exemplo dela, a sua determinação, seja como mulher, seja como política, seja a sua visão do Islão.

Pensei, realmente o Mundo ainda não está preparado para mulheres assim. Ninguém está, nem políticos, nem religiosos, nem o simples cidadão.

A questão é, alguma vez estarão preparados?

Uma coisa tive a certeza com Benazir Bhutto, é que a educação, os ensinamentos que são transmitidos  em casa, desde cedo, determinam muito o pensamento da criança que um dia irá ser um adulto: Benazir cresceu numa familia em que a igualdade de géneros era uma realidade, rapazes e raparigas eram tratados de igual modo e tinham as mesmas obrigações.

Todos os filhos, rapazes e raparigas, tiveram acesso à melhor educação que lhes foi possivel.

Assim, eu considero que a mulher Benazir Bhutto começou a ser forjada ainda em criança, pelo pai Zulfikar Ali Bhutto, que a encorajava a estudar para um dia ser útil à sociedade.

É esta a igualdade de géneros no Islão, tudo o mais são meras interpretações de mentes fechadas e que usam o Islão consoante os seus interesses, e não como a verdadeira mensagem que é.

Com Benazir sempre aprendi que para se compreender o papel das mulheres no Islão é necessário entender-se o Corão no contexto correto.

E como a minha evolução pessoal, personalidade e profissional sempre se fez pela minha busca por vários exemplos de pessoas, religiões, culturas e ideologias, eu tornei-me numa mistura de emoções, ideias e ações. 

Sobretudo ações. A ideia posta em prática. 

Isso também significa viver com conflitos e debates internos, constantes e permanentes.

Não é fácil quando a nossa mente e o nosso coração sonham com ousadia e pertencem ao Mundo.

O assassinato de Benazir não afastoou as mulheres da política. Não lhes encheu de medo dos radicais e fanáticos. Só fez uma coisa: deu-lhes uma certeza de que quando se agitam mentalidades estamos a progredir. É a evolução.

Assassinar Benazir foi uma expressão radical e desesperada de falta de argumentos: não a conseguiam contrariar nem contra-argumentar no caminho que ela trilhava pela democracia no Paquistão, e pela sua visão do Islão e do Mundo Árabe, inseridos num unico planeta juntamente com ideologias ocidentais, culturas opostas.

Ou se calhar, a mensagem era mesmo essa, não são assim tão opostos.

Paula Vaz Franco