quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

anima mea | evolução ou ética


Capítulo V

É imoral modificarmos as leis da Natureza?

Não é isso que o Homem faz desde que o seu cérebro começou a desenvolver o raciocínio e ganhar consciência?

Não é esse o propósito de ter um cérebro racional e consciente, a busca pela evolução da espécie?

Se estamos limitados pela ética, que tipo de evolução teremos?

E quem decide o que é ético e o que, não é? São as pessoas anónimas ou indivíduos pensantes e com poder sobre a sociedade?

A opinião de um legislador, de um cientista, de um cidadão anónimo, de um cidadão com uma doença genética degenerativa ou com uma pessoa de quem gosta nestas condições, são opiniões diferentes.

Todas válidas. Mas, mais uma vez, diferentes. O que coloca a ética sob vários pontos de entendimento e, por consequência, um modo de ver a vida e a evolução da Humanidade.

É humano sabermos que conseguimos descobrir a origem de uma doença e por isso erradicá-la do ADN das pessoas que sofrem ou virão a sofrer e não usarmos esse conhecimento?

Irão sempre haver sacrifícios, limites que podemos questionar, técnicas e tratamentos que irão falhar até que os primeiros comecem a ser eficazes e modificarmos a vida de uma pessoa, de uma família, de uma comunidade, de uma sociedade, da própria Humanidade.

P.C. Franco

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quinta-feira, 14 de novembro de 2019

anima mea | capítulo IV | transumanismo


Transumanismo – um futuro inevitável.
Nascemos limitados pelo facto de sermos orgânicos e por isso perecíveis, finitos.
É certo que até certa altura da vida vamos evoluindo e dando o próximo passo no melhoramento do nosso organismo, todavia a partir de determinado ponto de viragem, é precisamente o inverso que acontece. Decaímos.
Alguns mais depressa do que outros, devido a diversas variantes e condicionantes: umas da nossa responsabilidade, outras nem por isso. Culpa da genética, do meio ambiente, da área geográfica, de comportamentos dos adultos enquanto eramos crianças, uma panóplia de influências que vão determinar se o nosso envelhecimento é mais rápido ou mais acentuado do que de outros seres biológicos que nasceram e cresceram tal como nós, humanos.
A finitude está presente em quase tudo na nossa vida, até o próprio planeta é finito. Um dia, daqui a muitos milhares de anos, coisa que não nos afeta tão cedo mas que há de afetar alguém.
O dia tem um fim, as férias, as aulas, o dia de trabalho, o contrato de trabalho, o contrato de arrendamento, o filme, o livro, a viagem, tudo gira à volta de um início, um meio e um fim.
E esse fim atormenta-nos sobretudo em relação ao nosso organismo e às coisas que podemos fazer enquanto respiramos por nós próprios, pensamos por nós próprios. Ou seja, o saber que um dia isso deixará de ser possível do mesmo modo que o fazíamos quando ainda estávamos a evoluir, dá que pensar.
Tanta coisa ainda por fazer, por viver, e tão curto espaço de tempo.
Parece que não faz sentido. Dão-nos vida e depois pouco tempo para a aproveitar. É como partir em desvantagem numa corrida, o tempo já vai à frente e nós ainda nem arrancámos.
Lidar com isso não é fácil, aceitar muito menos, viver isso é perturbador. Por muito que algumas pessoas digam que gostam de chegar a uma idade avançada e até estão a gostar da mesma, não deve haver um dia que não pensem que gostavam de ainda ter as mesmas capacidades de quando eram jovens, capacidades físicas e intelectuais que lhes permitam acompanhar a vida não só deles próprios mas também daqueles que os rodeiam, de uma forma mais próxima e energética. Nem que fosse somente acompanharem os que os rodeiam evoluírem. Algo que sabem bem que não o vão poder fazer até quando gostariam.
É um paradoxo.
Ou então é um desafio de gestão de tempo. Talvez o nosso objetivo primordial de vida é saber gerir o pouco tempo biológico que nos é concedido. Nem é ser feliz ou alcançar muito sucesso, é simplesmente saber gerir o tempo.
Não é fácil crescer com a ideia presente de que um dia tudo terminará, então o ser humano é ensinado a pensar de outra forma: construir um legado para deixar a outros. É uma forma de contornar a ideia de finitude: “não é assim tão mau, vais deixar algo para quem te seguir”. E assim encaramos os dias e as noites, a construir algo que alguém irá dar continuidade e que por sua vez irá também deixar a outrem.
Começa a haver quem pense de outro modo, quem entenda que a nossa vida biológica é demasiado curta e que o nosso propósito não é apenas viver para os outros nem viver a juntar, criar, desenvolver algo para os outros.
A busca pela próxima evolução humana tem subjacente uma demanda pela imortalidade e não pelo legado para os que nos vão seguir na nossa história.

P.C. Franco

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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

anima mea | capítulo III

Os dias de inverno trazem noites com mais sonhos e pesadelos pois são mais longas e não temos pressa em sair da cama.
A nossa mente ajusta-se ao nosso ambiente. Já dizia o Dr. Crane, o Espantalho, em Batman – The Beginning, interpretado por Cillian Murphy, “fascina-me o poder da mente sobre o corpo e é por isso que faço o que faço”.
E assim navega por estranhos mundos dos quais frequentemente não nos lembramos quando a escuridão da noite se levanta.
Parece que o tempo é mais lento e arrastado, tudo dá a sensação de eternidade.
E, curiosamente, queremos que o tempo passe rápido ou, pelo menos, mais rápido.
Será o facto de os dias sem luz que associamos ao inverno nos causa terror?
O ar sombrio com que passamos os meses do tempo frio assusta-nos e desespera-nos.
Talvez esteja interligado com a nossa essência primária de seres vivos diurnos. O medo do escuro sempre atormentou o Homem desde os tempos primitivos.
Milénios passaram e continuamos a sentir o mesmo pânico quando há ausência de luz, seja individualmente seja coletivamente – de imediato associamos à possibilidade de crime e maus eventos. É curioso a falta de evolução nesse aspeto que atravessa o ser humano, desde o mero cidadão aos governantes e autoridades.
E tudo porque confiamos apenas no sentido de visão para ver e perceber o mundo. Esquecemos que não precisamos de ver para nos protegermos dos demónios e monstros que a escuridão possa trazer.

Somos a nossa mente, isso é verdade, mas ela vai para além dos olhos que apenas nos dão um mero e confuso reflexo da realidade. Se confiássemos mais nos nossos outros sentidos, muito provavelmente haveriam menos conflitos, desentendidos, desesperos ou nos deixaríamos conquistar pelos obstáculos que nos surgem e nos conduzem ao medo.

P.C. Franco
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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

o residente da cidade de Gotham

De tempos a tempos, a sétima arte revela-nos uma obra prima e este ano ficará para a História com Joker: uma inesquecível viagem ao interior da sociedade que pode ser cruel pois enquanto vaticina a destruição de uma pessoa, também promove a criação de uma nova.

Mostra-nos as nossas falhas enquanto humanos e enquanto coletividade.

Num único pensamento, Joker faz-nos pensar que as nossas ações e as nossas omissões têm consequências irreparáveis.

Aliado à nossa viagem juntamos uma interpretação perfeita e irrepreensível de um dos mais enigmáticos atores e homens contemporâneos, Joaquin Phoenix.

A par com Phoenix, temos a sublime banda sonora criada por Hildur Guðnadóttir, a cinematografia de Lawrence Sher e obviamente a história escrita de propósito para Phoenix, por Todd Phillips e Scott Silver combinada com a visão brilhante de Phillips enquanto diretor de Joker.

A fronteira que separa o humanismo que Arthur Fleck tem e a sua agressividade perante uma parte da sociedade que o abandona é a luta que travamos diariamente dentro de nós.

Que sejam mais os dias e as noites em que nos mantemos sãos e menos aqueles em que sucumbimos.

P.C. Franco







segunda-feira, 7 de outubro de 2019

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

anima mea | capítulo II

Perseguimos a eternidade para não sucumbirmos ao esquecimento, para não dizermos adeus ao e aos que amamos, para não nos esquecermos dos momentos que vivemos.
Abandonados para sempre na escuridão da memória, sem nunca mais ouvirmos o nosso nome ser dito, é uma ideia que impregna o nosso coração humano de pavor, desespero e pânico.
De que somos feitos para nos consumir desta forma a nossa finitude?
Reminiscências de um passado do qual não nos lembramos e que nos coloca como seres gloriosos e eternos?
Sempre conhecemos a nossa limitação, ninguém transcendeu, até hoje, as barreiras da vida e não conheceu a morte.
Como pode algo que nunca fomos nem nunca tivemos, ser determinante da nossa vida?
Afinal, nada sabemos sobre a eternidade.
Todos os nossos dias têm um fim.
Todavia, nascemos com um desejo de ser eternos e, cada um à sua maneira, luta pela continuidade da sua memória, uns à sua volta, outros pela História em si.
Teremos sido outrora eternos, e terá sido essa eternidade apagada da nossa consciência mas não do nosso ADN?
E se voltarmos a ser eternos? O que se segue na nossa continua busca pelas estrelas?

P.C. Franco





sexta-feira, 20 de setembro de 2019

little thoughts about transcendence | pc franco

The perfect symphony of the universe transcends the limitation of our existence.
Understanding it is an obligation inherent in our way of being.
However, we are fully aware of the impossibility of the noble task.
Nevertheless, our insistence and persistence on this mission reveals that we are either descendants from the stars or we are destined to go to them and look at us from above.

P.C. Franco

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Mozart Symphony No 38


pequenos pensamentos sobre transcendência

A perfeita sinfonia do universo transcende a finitude da nossa existência.
Compreendê-la é uma obrigação inerente ao nosso modo de ser.
Todavia, temos a plena consciência da impossibilidade da tarefa.
Daí que a nossa insistência e persistência nessa tarefa revela que ou descendemos das estrelas ou estamos destinados a ir ter com elas e olhar para nós lá de cima.

P.C. Franco

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domingo, 8 de setembro de 2019

as palavras de Tal

"Somos seres sem um mundo a que possamos chamar nosso.
Vagueamos pelas estrelas sem saber o que está por detrás dos astros,
e assim ficamos, sempre sós, eternamente condenados a percorrer 
o infinito.
o horizonte é longínquo de tudo e de todos
e, quando voltarmos, nunca mais será o mesmo.
Tenta não esquecer de onde vens, tenta lembrar-te
para não te perderes na dança cósmica 
daquilo que te rodeia e chama por ti." 

Estas foram as palavras de Tal, o grande fundador do planeta Vor que Hanan leu pausadamente a Laura. 
Quando fechou o livro sagrado da criação do universo estava na expetativa da primeira reação da nova hóspede, era conhecida por não ter as respostas previsíveis como os outros viajantes que por ali passavam.
Estranhamente, Laura não foi capaz de dizer nada. Isso foi tão estranho que deixou confusa a própria Laura.

P. C. Franco 

(excerto retirado da história O Povo das Estrelas. Reservados todos os direitos de autor)




poema I



terça-feira, 3 de setembro de 2019

anima mea | capítulo I

Podemos acreditar que existem seres que nos criaram. A questão é se acreditamos ou não que somos nós quem constrói o nosso destino e escrevemos a nossa história.
É que não é fácil escrever uma história, quanto mais a nossa.
É mais fácil dizer que os nossos criadores traçaram o nosso destino e o que tem de ser, será.
Não, não é verdade. O que tem de ser nem sempre será, simplesmente porque não são assim que as coisas funcionam.
E invocar a sorte também não é opção. O destino e a sorte não andam de mãos dadas e não variantes decisivas no desenrolar dos eventos da nossa vida.
Muito provavelmente, ao longo da nossa vida, temos de construir o nosso destino e criar a nossa sorte; se ficarmos à espera destes dois, vamos ter muito de esperar.
Se querermos trazer alguma variante que justifique a obtenção ou não obtenção do que queremos ou do que nos acontece, ou não acontece, é a vontade. Sim, a vontade é definidora dos eventos da nossa vida.
A ausência de vontade é tão importante como a existência a 200% da mesma em nós. Faz acontecer eventos. Ou faz não acontecer.
Nas manhãs de frio e sem esperança, é quando normalmente conseguimos pôr em prática algo determinante, simplesmente porque a nossa vontade está bem vincada e definida.  

A determinação nasce dos momentos de dor e desespero, é nesses instantes que descobrimos a nossa verdadeira essência: se somos vencedores, se nos damos por vencidos, ou o pior dos piores, se somos indiferentes.

P.C. Franco 


(todos os direitos de autor reservados. para autorizações contactar a autora. obrigado. all rights reserved. for permissions please contact the author. thank you.)



terça-feira, 6 de agosto de 2019

textos ao amanhecer #9


O viajante já não se lembrava quando e porquê começara a percorrer as galáxias do Universo desconhecido.

Todos os momentos da sua vida eram passados a atravessar o espaço silencioso, cruzando-se com estrelas, planetas, cometas, deixando-se envolver pela vontade de ir sempre mais além.

Depressa percebeu que a sua jornada não iria ter fim.

O objetivo deixou de ser um objetivo a alcançar.

Passou a ser um modo de vida.

P.C. Franco 


quarta-feira, 24 de julho de 2019

ancient children

Alpha Dimension.

Observation.


Thunders crossing the sky
making stars collapsing
into her heart
breaking them
in falling pieces
A constantly seek outside
daydreams & nightmares
a lost paradise
somewhere forgotten
Ancient children around the world
in search of new worlds

Someone says,
I've been waiting for you.
Here Iam.

P.C.Franco

Yoko Ono poems 

quinta-feira, 18 de julho de 2019

os visionários do planeta xeiq

As ruas pareciam que se perdiam por entre os altos prédios da cidade de Vur, uma cidade que ficava para lá do mar verde escuro que cobria o planeta Xeiq.

Seres muito apressados percorriam os passeios, numa tal azáfama que era impossível perceber. Os carros circulavam em dois sentidos, sem pararem em sinais de trânsito, cada carro entrava na rua, depois saia, depois entrava outro, sucessivamente.

Erg nunca tinha ali estado, não conseguia perceber aqueles movimentos dinâmicos e mecânicos. Encostou-se a uma parede e deixou-se ali ficar por uns longos minutos, a observar.

Tinha chegado algumas horas antes no comboio rápido que fazia a ligação entre as cidades de Xeiq e estava a anos luz de se sentir bem e orientado naquela cidade nova.

Na verdade, não fosse a sua determinação em encontrar o guardador de livros mais antigo do planeta, já estaria arrependido de ali estar. A sua cidade, Lorq, era muito mais calma e ordenada.

No entanto, em Lorq tinha-se acabado com a profissão de guardador de livros. Com o desaparecimento do último, a cidade ficou orfã de quem a protegesse do esquecimento dos livros em papel.

Há muitos anos, nas Guerras Tecnológicas, em que o Ramo Digital tomou o poder, que já não se imprimiam livros em papel. Apenas um grupo de pessoas, chamados Os Visionários, insistiam em ler livros em papel. Como já não se faziam mais, os Visionários trocavam entre si os livros e (era apenas um rumor) havia quem estivesse a escrever livros novos. Chamavam-lhe os Marginais.

Entretanto, com o desaparecimento do último Guardador de Livros de Lorq, a Casa do Poder do Ramo Digital, apreendeu os livros e estes foram encarcerados nos túmulos esquecidos.

Ora, Erg queria ler. Queria continuar a ler os livros. Então, numa noite de grande silêncio, decidiu que iria até à cidade de Vur, onde se constava que vivia o mais antigo Guardador de Livros e que tinha uma infindável coleção de livros de todas as histórias. Dizia-se que até tinha sobre as Civilizações Perdidas e também de outros planetas.

Desde criança que Erg sonhava com conhecer a história dos outros planetas e, quando mais avançava na idade, maior era o sonho agora acompanhado de um plano.

Assim, meteu-se um comboio rápido e, cheio de nervos e entusiasmo, esperou que este chegasse a Vur.

Agora que ali estava apercebeu-se que não tinha delineado um plano completo e em condições pois agora não sabia o que fazer.

As cores, as luzes, os sons, as imagens que pareciam vir do nada, preenchiam as ruas.

Vur era o centro governamental do planeta, onde residia a sede do Ramo Digital e seu exército por isso a presença digital era muito profunda ali.

Não deixava de ser curioso ser ali que havia o maior grupo de Marginais e a maior coleção de livros de Xeiq.

Perdido nos seus pensamentos e nos seus medos, paralisado e sem ação, Erg estava a começar a entrar em pânico.

Nisto, ouviu uma voz vinda do escuro.
- Ei, tu, vem para aqui antes que te achem suspeito.

Instintivamente Erg deu um pulo e seguiu a voz que vinha de uma lateral da rua onde se encontrava.

Aproximou-se do escuro e um rosto surgiu-lhe. Era uma rapariga muito morena, com um capuz na cabeça e envergando vestes com cores castanhas. Nas mangas largas, os símbolos de Vur.

Em Xeiq, os cidadãos usavam os símbolos das suas cidades nas mangas das roupas, não era permitido numa cidade usar os símbolos de outra.

Nas centrais dos comboios existem avisos por todo o lado “Troque os seus símbolos. Está em Vur. Use o hexágono verde. Bem vindo a Vur, cidadão de Xeiq.”

Erg esqueceu-se por completo de ir ao registo dar conta da sua presença ali e pedir para lhe mudarem, por via da tecnologia, os símbolos de Lorq que usava nas suas mangas.

Ficou ainda mais em pânico.

- Não costumas viajar muito, pois não? Metes-te num sarilho ao não ires ao registo dos símbolos. – depois de uma pausa, a rapariga tirou um casaco da sua mochila e entregou a Erg. – Toma, veste. Assim não te vão mandar parar e levarem-te para a detenção e averiguação.

Sem questionar, Erg vestiu imediatamente o casaco.

- Obrigado. – disse ele, visivelmente agradecido.
- Então, que fazes aqui? O que vens à procura? – perguntou a rapariga apesar de que a Erg lhe pareceu que ela desconfiava dele.
- Acabaram-se os livros na minha cidade, Lorq. Ficámos sem o nosso último Guardador de Livros – e baixou a cabeça tristemente – e os livros foram apreendidos. Mas eu quero continuar a ler! – e levantou a cabeça, determinado.

A rapariga sorriu e estendeu-lhe a mão.

- Anda. Vem comigo conhecer o nosso Clube dos Marginais de Vur. Temos muitos livros para leres. E mais ainda.

Os olhos de Erg brilharam.

- Vocês andam a escrever livros novos?! E o vosso Guardador tem livros sobre os outros planetas? – a sua voz não conseguia conter o seu entusiasmo.

A rapariga riu-se.

- Sim. Somos loucos. Mas estamos apaixonados pelo universo e por encontrar outros como nós noutros planetas.

E fez uma pausa.

- Descobrimos um noutra galáxia, distante. Um planeta azul.
- E…? – Erg pulava de alegria.
- Enviámos uma mensagem. Mas não sabemos se eles perceberam e se vão responder.

Erg estava eufórico com as palavras da sua nova amiga. Já nem se lembrava dos seus medos e do pânico que ainda há pouco sentia.

- Temos de ir. A qualquer momento podemos ter uma mensagem do planeta Azul.

Erg e a sua amiga desapareceram pela rua escura e silenciosa. Os seus corações imaginavam grandes conversas com os habitantes deste planeta azul, fossem eles como fossem. Mas não podiam falar disto aos outros habitantes de Vur. Ninguém acreditava que outro planeta tivesse vida inteligente como em Xeiq e essa loucura já tinha custado a muitos Visionários o desaparecimento da sociedade.


P.C. Franco

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infinite